O
único processo de reciclagem de bitucas de
cigarro no País foi elaborado em 2003 pela
Universidade de Brasília (UnB). No entanto, a
instituição aguarda a patente da técnica, que
transforma o restante do cigarro em celulose,
para comercializá-la e divulgá-la
A reciclagem da bituca é bem semelhante à do
papel comum, explica a doutora em
desenvolvimento
sustentável e coordenadora do
Laboratório de Papel Artesanal da UnB, Thérèse
Hofmann. "A dificuldade foi transformar o
filtro em papel. Desenvolvemos uma etapa no
processo de reciclagem que dissolve o filtro.
Isso é inovador."
No entanto, ainda não há previsão de quando o
papel de bituca passará a ser comercializado e
divulgado. "Mas não será por problema de
custos. Reciclar as bitucas não é nada
oneroso", garante Thérèse.
Muito se fala
em reciclagem,
mas esse
artigo aborda
também a
redução. Em
uma
comparação, um
motor de carro
polui 10 vezes
menos que a
fumaça do
cigarro. Ao
menos o carro
tem utilidade,
ao passo não
existem
benefícios no
uso do cigarro
Aluno de
Biologia da
UnB cria
técnica para
reciclar
bitucas
O estudante de
Biologia da
Universidade
de Brasília
(UnB) Marco
Antônio
Barbosa Duarte
desenvolve
projeto de
reaproveitamento
da ponta de
cigarro
fumado. Sob a
orientação da
professora do
Instituto de
Artes (Ida) da
UnB Thérèse
Hofmann e de
Paulo Suarez,
professor do
Departamento
de Química,
Marco Antônio
faz da bituca
matéria-prima
para produzir
papel.
A idéia de
fazer papel
reciclado com
esse tipo de
material
surgiu por
acaso. Marco
Antônio trouxe
para a sala de
aula um saco
cheio de
pontas de
cigarro e
perguntou à
professora se
era possível
transformar
aquele monte
de lixo em
papel.
"Resolvemos
testar e deu
certo", lembra
Thérèse.
Já se
utilizavam os
resíduos das
fábricas de
filtro de
cigarro, ou
seja, filtros
"limpos", em
outros tipos
de pesquisa. A
Embrapa de
Pernambuco,
por exemplo,
recebe sobras
da Filtrona
Brasileira
Indústria e
Comércio, para
testar o uso
do material na
absorção e
retenção de
água em solos
secos. A
empresa tem o
ISO 14.002 e,
portanto,
assegura que
todo material
gasto na
produção é de
alguma forma
reutilizado.
Reaproveitar o
filtro depois
de consumido,
contudo, é
novidade.
"Aproveitamos
toda a bituca:
o filtro e o
tabaco
fornecem as
fibras que dão
origem ao
papel e as
cinzas podem
servir de base
no processo",
explica o
estudante, que
também não
despreza as
sobras da
indústria para
confeccionar
mais papel.
Ele recebeu
milhares de
filtros não
aproveitados
para dar
continuidade a
seus estudos.
Segundo a
professora
Thérèse
Hofmann, o
rendimento é
de quase 100%.
"Se, por
exemplo, uma
bituca pesa
0,4 gramas,
ela resultará
em cerca de
0,4 gramas de
papel
reciclado",
diz ela. Para
obter o
material, o
processo é a
reciclagem
comum: as
pontas e os
filtros são
separados do
papel e
misturados em
água, soda
cáustica e
água oxigenada
e cozidos. A
pasta
resultante é
colocada para
secar, quando
se forma o
papel.
A professora
Thérèse
Hofmann e
Marco Antônio
apresentaram o
trabalho como
inovação
tecnológica no
Congresso
Nacional de
Celulose e
Papel,
realizado em
outubro de
2003, em São
Paulo. O
objetivo final
do projeto é
verificar qual
a melhor
utilidade que
o papel
reciclado pode
ter. Já se
sabe, por
exemplo, que é
possível obter
papel nobre,
utilizável
para escrita e
impressão. A
patente do
processo foi
depositada no
Instituto
Nacional de
Propriedade
Industrial (INPI).
Professora
Thérèse
Hofmann,
coordenadora
do Laboratório
de Materiais
Expressivos,
pelo telefone
(61) 3307
2317.
fonte:
Universidade
de Brasília -
www.unb.br
Poluição do
cigarro
A fumaça de
cigarros
produz dez
vezes mais
partículas de
poluição do
que o
escapamento
dos modelos
novos - e
ambientalmente
mais corretos
- de motor a
diesel,
afirmam
cientistas da
Itália e da
França.
"As pessoas
não têm uma
idéia do nível
de poluição
produzido pelo
fumo dentro de
casa", disse o
italiano
Giovanni
Invernizzi, da
Unidade de
Controle do
Tabaco do
Instituto
Nacional do
Câncer em
Milão.
Partículas
microscópicas
resultantes de
combustão são
recobertas por
moléculas que
podem causar
câncer. Outros
produtos
químicos
presentes
nessas
partículas
podem levar ao
desenvolvimento
de bronquite e
doenças
cardíacas.
Essas
partículas são
de tamanhos
variados (de
0,1 a 10
milésimos de
milímetro),
mas todas elas
vão parar nos
pulmões depois
de inaladas.
As menores
podem entrar
na corrente
sangüínea.
"Partículas
menores que
0,1 micrômetro
(milésimo de
milímetro)
podem chegar
ao cérebro e a
outros órgãos,
causando
infarto e
derrames", diz
Invernizzi.
Fumaça nas
montanhas
Os
pesquisadores
mediram a
quantidade de
partículas
emitidas
durante uma
hora por três
cigarros
dentro de um
quarto, e a
compararam com
o número de
partículas
emitidas no
mesmo
intervalo e no
mesmo ambiente
por um veículo
equipado com
um motor a
diesel
moderno.
O estudo foi
feito nas
montanhas da
Itália, na
cidade de
Chiavenna,
onde há pouca
contaminação
por poluentes.
Os cigarros
emitiram
partículas em
concentrações
até dez vezes
maiores que o
motor. O nível
total de
particulados
foi de 88
microgramas
por metro
cúbico para o
carro e 830
microgramas
por metro
cúbico para os
cigarros.
Os
pesquisadores
também
compararam o
tamanho das
partículas.
Descobriram
que os
cigarros
produziram 15
vezes mais
partículas
grandes que o
carro.
Os autores do
estudo,
publicado no
periódico
médico "Tobacco
Control", se
disseram
surpresos com
o resultado.
Invernizzi
avisa que
quartos com
janelas
fechadas são
um problema.
"A gente deve
ser cuidadoso
com o fumo
passivo,
porque as
partículas
podem ficar
[suspensas] no
quarto por
muito tempo"
diz o
italiano.
Não há ainda
estudos com
motores a
diesel mais
antigos - como
os que
movimentam
vários
caminhões e
ônibus no
Brasil - dizem
os autores.
Mas eles dizem
que esses
motores
geralmente
produzem cem
vezes mais
partículas que
os modelos
novos,
ganhando,
portanto, dos
cigarros.
No entanto, os
novos motores
estão cada vez
mais em uso,
devido ao
endurecimento
de normas
ambientais,
especialmente
na Europa. De
acordo com os
pesquisadores,
isso fará com
que os
cigarros se
tornem uma
fonte mais
significativa
de poluição.
Segundo a
Cetesb
(Companhia de
Tecnologia de
Saneamento
Ambiental),
que mede a
poluição na
região
metropolitana
de São Paulo,
a média diária
de material
particulado
jogado no ar
por veículos é
de 150
microgramas
por metro
cúbico --menos
da metade do
índice obtido
na experiência
realizada em
Chiavenna.
O
pneumologista
Chin An Lin,
pesquisador do
Laboratório de
Poluição
Atmosférica
Experimental
da Escola de
Medicina da
USP
(Universidade
de São Paulo),
lembra que, na
cidade,
costuma-se
observar uma
equivalência
de 70% no
índice de
poluição
atmosférica em
ambientes
externos e
internos.
Dentro de uma
típica casa
paulistana, há
cerca de 105
microgramas
por metro
cúbico --para
a Cetesb,
valor inserido
na faixa
"regular" de
qualidade do
ar.
Segundo Lin,
estudos
anteriores
mostram que os
poluentes
inspirados ao
ar livre nas
metrópoles
correspondem a
fumar dois ou
três cigarros
por dia. "Ao
colocar um
fumante
passivo dentro
de uma sala,
ele vai
respirar ainda
mais material
particulado",
diz. "É risco
em cima de
risco."
Mesmo que o
estudo
provoque uma
reação crítica
de grupos
antitabagistas,
dificilmente
os fabricantes
conseguiriam
reduzir a
geração de
material
particulado,
produzido pela
queima do
papel e dos
compostos.
"Não é como o
filtro,
colocado para
"segurar" as
outras
substâncias
como a
nicotina",
afirma o
pesquisador.
"Todo o
material
conhecido pela
indústria que
pudesse
substituir o
usado hoje vai
ser queimado
e, por
conseqüência,
vai produzir
material
particulado."
Basta saber se
a Anvisa
(Agência
Nacional de
Vigilância
Sanitária),
que examina a
composição do
cigarro no
Brasil,
exigirá
padrões
máximos de
material
particulado
como já pede
de nicotina,
alcatrão e
monóxido de
carbono.
fonte:
Portal da
Saúde Pública
do Pará -
portal.sespa.pa.gov.br